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A importância de Jesus na educação, independentemente de religião


Em entrevista à jornalista Francine Moreno do Diário de São José do Rio Preto, Sonia Lyra* fala sobre a importância de Jesus na educação das crianças e dos adultos e revela como Ele deve ser entendido e compreendido.

Jesus é mecanismo exato para a evolução espiritual

A base de todo o ensinamento de Jesus é o amor. E não o amor como algo romântico ou hollywoodiano. Ao contrário: amor é compromisso com um projeto de vida que visa o crescimento da pessoa em suas dimensões individuais e coletivas. O amor proposto por Jesus se traduz como verdade, justiça, fraternidade, respeito, solidariedade, paz e igualdade. Em outras palavras, tudo o que concorre para o bem da humanidade. Esses princípios são universais, imutáveis e devem ser ensinados, sim, para todas as crianças. *Sonia Lyra, psicóloga de Curitiba, mestre em Filosofia e diretora do Ichthys Instituto de Psicologia e Religião afirma que o conceito “Deus” está inserido especialmente na cultura e na religião cristãs, sendo a religião a doadora de sentido para a existência humana. E quanto antes a criança tiver acesso a uma autêntica formação religiosa, melhor.
 

Diário - Jesus traz por meio de sua vida e das histórias que contou todas as ferramentas para a compreensão das Leis Universais?
Sonia Lyra - Sim, traz. A questão que surge, porém, é da interpretação. Então, a qualidade e a profundidade dos ensinamentos de Jesus acabarão dependendo da qualidade de vida, do conhecimento teórico e da profundidade da experiência pessoal de quem transmite esses ensinamentos. Um indivíduo pode ter lido e saber de cor toda a Sagrada Escritura, mas se não a vive como poderá transmiti-la a contento?
 

Diário - Jesus pode ser um meio para que as crianças aprendam a arte de viver bem emocionalmente e ao crescer desenvolver potencialidades?
Sonia - Jesus Cristo é um paradigma, um “modelo”, não a ser macaqueado, mas a ser compreendido e, então, seguido. Dizemos que cada um deve aprender a viver sua vida de modo tão autêntico quanto ele viveu a dele.
 

Diário - Durante sua vida na terra, Jesus aplicou sua ação pedagógica em nós. Neste sentido, quais são os princípios que devemos ensinar às crianças?
Sonia - Quando os pais experimentam em si mesmos os preceitos éticos, por exemplo, das tentações de Jesus ou das bem-aventuranças, então, naturalmente as crianças seguirão seu modelo. O que não serve é os pais ou professores ensinarem aquilo que eles mesmos não conseguem viver em suas vidas pessoais, o que ensinará às crianças a crescerem divididas entre o que se diz e o que se faz.
 

Diário - Existiu na Terra alguém mais sábio do que Jesus na apresentação da finalidade da existência?
Sonia - Não. Foi somente por sabedoria que Jesus apresentou a finalidade da existência. Como Deus, ele é a finalidade da existência.
 

Diário - Segundo às religiões, não cumprir os preceitos religiosos e pecar levam a criatura ao “inferno”. Como isso deve ser encarado?
Sonia - Depende da perspectiva pela qual se compreende os preceitos religiosos e elas são muitas. Se entendermos o pecado não como um pecado moral, mas no seu sentido original que também quer dizer errar o alvo, podemos pensar que sempre que erramos o alvo, ou seja, sempre que há um desvio do caminho, uma incoerência entre razão e coração, sentimento e intelecto, ou entre o que eu sou e o que faço ou sinto, nesses e em outros casos estaremos errando o alvo e pode-se dizer que em decorrência viveremos momentos de um verdadeiro “inferno”.
 

Diário - Por não entender a função da dor as pessoas a consideram indispensável ao processo evolutivo. Para Jesus a dor é inevitável?
Sonia - Talvez a palavra cuja função seja indispensável ao processo evolutivo seja sofrimento e não propriamente dor. O sofrimento não é necessariamente doloroso, no sentido como entendemos dor. Por exemplo, um tempo de espera em que nada parece acontecer em nossa vida, pode ser um sofrimento mas nem por isso doloroso; ou, a solidão. Esta pode ser muito sofrida sem que por isso se sinta dor corporal. Falando assim ainda teríamos que discernir entre as dores “corporais” e as “psicológicas” e as “espirituais”. Jesus, por sua vez, nos ensina a tomarmos nossa própria cruz e então segui-lo. Trata-se, porém, de pensar de que cruz se refere aos dias de hoje.
 

Diário - As injustiças sociais só desaparecerão quando o egoísmo e orgulho forem extintos?
Sonia - Se depender da extinção do egoísmo e do orgulho para que desapareçam as injustiças sociais elas não desaparecerão. O egoísmo e o orgulho fazem parte de estágios de desenvolvimento do ser humano individual (além de social) e não se pulam essas etapas. Aliás, sem elas, e sem o sofrimento que provocam, não há evolução da consciência humana.

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